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Educação, Futuro

Educação, Futuro

02
Jun17

O ambiente para a educação

monicajacinto

 (Às vezes a pressa é tanta de querermos que as pessoas saibam o nosso ponto de vista, que acabamos por tropeçar nas palavras e não nos fazemos entender assim tão claramente caindo no risco de os outros já não nos quererem ouvir mais.  Por isso, é importante falar de um ponto de cada vez - e neste caso, é sobre o ambiente escolar (ou o que deveria ser))  

 

Por mais que pensemos que não, o ambiente laboral em que nos encontramos, é super importante para a eficácia e qualidade do nosso trabalho - bem como para a forma como nos sentimos com nós mesmos -, ainda mais para crianças, sejam lá de que idade forem. Penso que todo o conceito de se estar fechado dentro de quatro paredes (e durante um tempo estupidamente infinito) tem de mudar. Não digo totalmente, mas numa boa parte.  A parte prática é muito importante na aprendizagem, e ainda mais hoje em dia. As crianças/jovens precisam de, como se diria à boa maneira portuguesa, "pôr as mãos na massa", o que para a maioria deles é bastante mais interessante. São raros os casos em que não se fartam de estar fechados num mesmo espaço durante horas seguidas - porque esta geração está cada vez mais habituada a estar em constante movimento e agarrada às tecnologias (e não a manuais).  Obviamente que toda esta questão de se tirarem os miúdos das salas, pode trazer outras, como o facto de se lhes conseguir prender a atenção, o foco, estando no exterior - mas penso que isso é igual para quando se está no interior (a missão de conseguir essa proeza é de quem está no comando).  Os jovens necessitam de experienciar todo o tipo de espaço laboral, desde o mais simples ao mais complexo, daquele com menos pressão ao com mais pressão possível, daquele em que o que se está a aprender tem a ver mais com teoria àquele em que é a prática que reina. É preciso arranjar novas formas de contacto, em termos de ambiente, e largar-mos a tradicional sala de aula - os tempos que correm, e que aí vêm, exigem essa mudança.

11
Mar17

Perceber o que realmente nos move

monicajacinto

 Quando inicialmente criei o blog (que não foi há muito tempo), pensei que iria chegar aqui e expôr apenas os meus "ideais" acerca da educação, tanto que no início o blog tinha o nome de Educação e depois passou para Educação, Futuro (e ainda assim acho que continua a não estar totalmente correto mas adiante), mas rapidamente percebi que o meu objetivo não é estar só a debitar o que eu acho mas, também, mediante exemplos que vou "vivenciando", poder ajudar (diguemos assim) algumas pessoas que possam estar em apuros quando falamos disto da educação, relacionado, também, com o seu futuro.

 Mas, passando ao ponto em concreto, o que me levou realmente a vir escrever este post foi, também, um post, que tive a oportunidade de ler há uns tempos sobre uma rapariga que já está no segundo ano de um determinado curso mas que, efetivamente, percebeu que aquilo não é o que ela pensava que era e, afnal, não está a gostar assim tanto.

 Obviamente que este é um daqueles temas em que as opiniões podem ser o mais variadas possíveis pois cada um tem o seu ponto de vista e, como tal, o que eu vou escrever aqui, é o meu (e vale o que vale).

 Não gosto de andar com rodeios e, por isso, o que eu digo logo, se alguém não gosta do que está a fazer, é: MUDA!

 Sim, eu já sei que por vezes pode parecer muito fácil falar e difícil é fazer. Mas, a verdade, é que também sei do que falo. Se há coisa que me atormenta profundamente é ver alguém fazer algo que não gosta. Nós não temos de nos sentir obrigados a fazer alguma coisa com a qual não nos sentimos bem.

 Concretamente relacionado com o exemplo que vos dei mais acima, vi pessoas comentarem o facto de como ela já está quase a acabar o curso, para, tecnicamente, se deixar lá ficar porque, depois, com mestrado ou qualquer coisa do género, até podia vir a descobrir que gostava daquilo. Para mim, isto está completamente errado! O facto de se estar a acabar um curso, ou de já termos gasto o dinheiro, não é desculpa.

 Nunca é tarde demais para descobrirmos aquilo que realmente nos apaixona. E podemos fazer essa descoberta a partir, do que pensamos ser, a coisa mais insignificante.

 Sei que nem sempre é fácil fazer este tipo de mudanças, até mesmo por causa de tudo o que nos rodeia, mas cada vez mais acho que as pessoas se começam a aperceber, ou deveriam pelo menos, que a vida é mesmo muito curta e não faz mal cometermos erros. Não há mal nenhum em sermos quem somos, em tentarmos descobrir-nos. O mais importante é tentarmos ser felizes, a fazer seja lá o que for.

 Não sei se fui totalmente explícita, mas a ideia que eu quero que retenham é: devemos sempre tentar perceber aquilo que realmente nos move, mesmo que isso saia completamente daquilo a que estamos habituados ou que temos vindo a fazer. Pode nem sempre ser fácil para nós, ou para os outros, mas é de extrema importância ter a coragem de nos impormos e percebermos qual o nosso caminho e, claro, lutar por ele (caso contrário seremos muito infelizes, como algumas pessoas o são, infelizmente.).

26
Fev17

..."porque as crianças são os adultos de amanhã"... Por mais gente assim!

monicajacinto

 Não podia deixar de partilhar aqui, uma entrevista a um professor espanhol, Cesar Bona, realizada pela Visão. Algo que vale muito a pena ler e reler. Porque, acima de tudo, as crianças são crianças e precisam do seu tempo como tal, e nunca se deve esquecer isso.

http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2017-02-26-Quem-defende-que-as-criancas-tem-de-trabalhar-mais-depois-de-um-dia-inteiro-na-escola-esqueceu-se-do-que-e-ser-crianca 

14
Fev17

Educação, elemento e criatividade [e inteligência] - uma quarta parte

monicajacinto

 A outra vertente que existe quando me referi ao ambiente à volta dos jovens, são as influências e pressões por parte das pessoas chegadas. Este é, também, um dos piores aspetos e mais errados que existem.

 São tantos e tantos exemplos de pessoas que deixam de fazer aquilo que realmente querem para agradar aos outros, ou porque os outros não querem que eles façam isto ou aquilo. Pois bem, nem sempre é fácil conseguirmos fazer o que gostamos quando existe tanta pressão, mas a verdade é que também é preciso tentar.

 Falando nos pais, é certo que eles querem o bem para os filhos e ninguém lhes tira o crédito, mas nem sempre o que eles acham que é bom, é realmente o melhor. É preciso levá-los a crer que é o futuro de cada um de nós que está em jogo, e que somos nós que temos de criar as nossas próprias oportunidades, perseguindo aquilo que desejamos.

 Sir. Ken Robinson, refere no seu livro, "O Elemento", o seguinte: "Perdi a noção da quantidade de pessoas que conheci que não faz a menor ideia dos seus talentos e paixões. Não gostam do que fazem, mas também não sabem o que efetivamente as faria sentirem-se realizadas."

 Se há coisa que realmente me entristece é ver alguém fazer algo que não gosta. 

 É certo que na vida vamos sempre fazer coisas que não nos agradam tanto, mas o pior é quando isso acontece com aquilo que pode ser o nosso futuro.

 A verdade é que, muitas pessoas, já adultas, mesmo tendo a oportunidade que nunca tiveram antes, de descobrir aquilo que realmente as apaixona, não o fazem por medo, por receio, por não quererem deixar o emprego certinho que lhes dá dinheiro ao final do mês.

 Para se descobrir o que realmente se quer é preciso correr atrás, é preciso correr riscos. Pode ser complicado, e por vezes pode ser difícil, mas somos nós e mais ninguém, que criamos as nossas oportunidades. Porque no final de contas, o que importa é a nossa felicidade. 

14
Fev17

Educação, elemento e criatividade [e inteligência] - uma terceira parte

monicajacinto

 Uma noção que há que ter presente, é que ninguém é melhor que ninguém só porque tem melhores notas na escola. E, não estou de modo algum, com tudo isto, a dizer que a escola não é uma boa coisa, ou que as pessoas devem desistir dela, nada disso. Só é de extrema importância perceber que nem todas as pessoas são boas nas matérias da escola, porque elas não englobam tudo o que há a saber (até porque isso seria impossível). Quem está à frente de todas estas questões da educação é que deveria saber criar um sistema educativo suficientemente inteligente para saber retirar todas as potencialidades de cada um individualmente (mas falarei disto mais aprofundadamente, mais à frente).

 Há gente com talentos inacreditáveis e que só os descobrem, ou só têm a hipótese de os aprimorar, quando saem da escola (como Paul McCartney). Existem jovens que se sentem bastante desmotivados porque não conseguem alcançar os resultados que desejariam ter e, muitas vezes, todo o ambiente que está à volta não ajuda propriamente. E, quando falo no ambiente, falo na própria instituição de ensino e na educação em si - porque, muitas das vezes, e na maioria dos casos, não há um apoio por parte destas [instituições] para que o jovem consiga perceber aquilo que realmente quer ou precisa de fazer, para alcançar determinado objetivo.

 Há uma tentativa, por parte da educação, para tentar guiar-nos para aquilo que eles acham ser o que importa. A educação está condicionada, e quer queiram, quer não, esse é um facto. Não há, em grande parte, liberdade por parte da educação. O problema é que o sistema educativo em que vivemos é aquele que nos leva por caminhos traçados - não há caminhos livres.

 Desde cedo somos, de certa forma, ensinados para termos, logo à partida, uma ideia do que queremos ser quando "formos grandes", e isso está mal.

 O que a escola deve tentar fazer é criar seres humanos para a vida, para o mundo - conseguir despertar em cada um as suas capacidades naturais.

 

 (a continuar no próximo post)

P.s. Aconselho sempre a lerem os posts anteriores caso não o tenham feito. Pelo menos aqueles que indicam a continuar no próximo post (para melhor compreensão).

14
Fev17

Educação, elemento e criatividade [e inteligência] - uma segunda parte

monicajacinto

Sir. Ken Robinson [ler post anterior], costuma fazer uma experiência bastante interessante na qual, de um lado, se depara com uma turma de crianças, e do outro lado, se depara com uma audiência para quem está a falar. E o que ele faz é bastante simples. Ele pergunta apenas quanto é que cada indivíduo se acha inteligente numa escala de 0-10 - e as pessoas vão levantando a mão, consoante o número que ele vai dizendo e o quanto se acham inteligentes.

 Na turma de crianças, o que se sucede é que praticamente todas levantam a mão no 10 e, se não o fazem, fazem-no em números não muito longe desse. Pelo contrário, numa audiência já com adultos, são raras as pessoas que levantam a mão no 8 ou 9 e ainda mais raramente, no 10.

 O que se passa é que à medida que vamos crescendo, e depois, também, dependendo da educação que cada um tem e das experiências que vai tendo, deixamos de acreditar nas nossas potencialidades. E, para além disso, penso que tem havido um conceito errado de inteligência. Obviamente que não posso dizer que a minha definição é a que está certa, até porque existem conceitos, como este, que são subjetivos, mas é aquela que penso ser a mais acertada (ainda por cima tendo em conta a sociedade em que vivemos e o avanço do mundo). A inteligência é o conhecimento que temos sobre determinado assunto. Ser inteligente não é só perceber deste tema em concreto ou daquele. Toda a gente é inteligente em alguma coisa. O problema é que muita gente não sabe no quê e muitos nem tiveram a oportunidade de descobrir.

 Um dos erros mais frequentes de acontecerem é o facto de por não se ser bom na escola, achar-se que não se tem qualquer habilidade. E isso é o pior que alguém pode fazer. É verdade que hoje em dia, tirar-se boas notas, ter um curso e ganhar dinheiro, é importante. Ninguém diz que não, mas é importante ter atenção ao que está por detrás disso.

 (a continuar no próximo post)

p.s. Aconselho a lerem sempre os posts anteriores caso não o tenham feito.

07
Fev17

Educação, elemento e criatividade - uma primeira parte

monicajacinto

Não faria muito sentido começar este post de outra forma a não ser falar de um senhor que realmente me inspirou a interessar-me cada vez mais pelo tema da Educação, e também, a passar a mensagem ao maior número de pessoas possível. O nome desse senhor, é Sir Ken Robinson, e ele é um dos mais conceituados e influentes oradores no mundo sobre inteligência humana e criatividade.

 Este educador tem um famoso livro chamado "O Elemento" ("The Element") e, basicamente, o que ele faz neste livro, entre outras coisas, é relacionar a educação com este tal elemento.

 E o que é o elemento? Nas minhas palavras, é algo que faz parte de nós, algo que nós gostamos e podemos, ou não, ter aptidão para, é aquilo que nós somos. Como ele diz: "é o lugar onde fazemos aquilo que queremos fazer e onde somos aqueles que sempre quisemos ser."

 O ponto por onde eu vou pegar para começar, é precisamente algo que ele costuma dizer nas suas conferências (mais em tom de pergunta), que é o facto de a escola matar a criatividade. E decido começar por aqui porquê? Porque a verdade é que toda esta questão da educação e do nosso elemento começa precisamente quando somos pequenos e vamos para a escola.

 Desde crianças, na sociedade em que vivemos, nos são impostos trabalhos e regras que logo nos cortam tudo aquilo que temos para dar ao mundo (só que uns conseguem ir ultrapassando essa barreira e outros, ficam com as ideias que lhes são, naquela altura, transmitidas). 

 O facto de, por exemplo, se perguntar a uma criança o que ela quer ser quando for grande e ela possivelmente responder que quer ser artista, no momento se calhar acharão engraçado, mas imediatamente lhe dirão que isso não é uma profissão "a sério" e que ela tem é de ser médica ou advogada, para conseguir ganhar dinheiro. E é este condicionamento que não é correto. É preciso deixar as crianças continuarem genuínas e criativas e, enquanto o são, são-no mais do que os adultos.

 Ainda relativamente às crianças, não só mas principalmente elas, há, hoje em dia, um exagero pelo que lhes é pedido e pelos horários que têm por parte das instituições de ensino. A criança basicamente deixa de ter tempo para brincar, para as suas próprias atividades e também para o tempo em família; passa a maior parte do dia na escola e, quando chega a casa, ainda tem de se sentar à mesa para fazer trabalhos de casa, em vez de haver um tempo de convívio entre pais e filhos (quando muitas vezes os pais também passaram o dia inteiro no emprego).

  (a continuar no próximo post...) 

07
Fev17

Uma breve explicação

monicajacinto

 Muito provavelmente, a grande maioria das pessoas que já por aqui passou (se é que alguém já cá veio), deve ter ficado meio confuso sobre o que seria exatamente o blog.  

 

 Primeiramente, depois de escrever aquele post de "abertura", pensei passar diretamente ao tema em questão e começar a escrever. Mas, logo a seguir, ponderei melhor e percebi que, mesmo que alguns achem "chato", devia fazer uma breve explicação sobre o que seria tudo isto, e ao que me refiro quando falo em Educação.        Em segundo lugar, não estou aqui para dar lições a ninguém, nem ensinar como se deve educar um filho [risos], mas sim para falar, mais concretamente, na educação escolar.                                                                                                                                          Com o post que irei fazer posteriormente a este, penso que ficarão a perceber melhor. No entanto, o conceito de educação traz muitos outros agregados e, como tal, é de tudo isso que irei falar à medida que for mais oportuno e também, tendo em conta, alguns dos comentários que possam surgir.

 O que eu quero com isto é, acima de tudo, mostrar o meu ponto de vista sobre o sistema educativo atual (que temos não só no nosso país mas como em tantos outros), o qual eu acho estar errado, e ainda, dar a conhecer alguns educadores que, ao longo do tempo, têm vindo a tentar explicar as suas ideias e o porquê de elas se tornarem cada vez mais pertinentes na sociedade em que vivemos.